Valores das bandeiras tarifárias em 2026, sobre qual parte do consumo o adicional realmente incide e o que fazer para reduzir esse custo na conta.
A bandeira tarifária é um adicional cobrado na conta de luz que sinaliza quanto está custando gerar energia no país naquele mês. Quando os reservatórios das hidrelétricas baixam, o Brasil aciona termelétricas, que são mais caras — e esse custo extra é repassado ao consumidor de forma transparente, por meio das bandeiras.
Este artigo explica os valores vigentes, sobre qual parte do consumo o adicional realmente incide e o que dá para fazer a respeito.
Os valores vigentes em 2026
- Verde — sem acréscimo. Condições favoráveis de geração
- Amarela — R$ 1,88 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,019 por kWh
- Vermelha patamar 1 — R$ 4,46 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,045 por kWh
- Vermelha patamar 2 — R$ 7,87 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,079 por kWh
- Escassez hídrica — R$ 9,49 a cada 100 kWh, acionada apenas em cenários críticos
Os valores são revisados periodicamente pela ANEEL, que anuncia a bandeira de cada mês no fim do mês anterior. A bandeira é nacional: vale para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional.
Quanto isso representa na sua conta
- 150 kWh por mês — cerca de R$ 2,82 na amarela e R$ 11,81 na vermelha 2
- 300 kWh por mês — cerca de R$ 5,64 na amarela e R$ 23,61 na vermelha 2
- 500 kWh por mês — cerca de R$ 9,40 na amarela e R$ 39,35 na vermelha 2
- 1.000 kWh por mês — cerca de R$ 18,80 na amarela e R$ 78,70 na vermelha 2
O impacto é proporcional ao consumo: quanto mais energia faturada, maior o adicional em reais.
Sobre o que exatamente a bandeira é cobrada
Este é o ponto que muda tudo e quase nunca é explicado. A regra da ANEEL determina que a cobrança de bandeira incide sobre a energia ativa faturada — o consumo que efetivamente é cobrado, depois de descontados os créditos de compensação.
Na prática: a energia compensada por créditos não carrega o adicional de bandeira. Quem tem uma cota de créditos que cobre boa parte do consumo passa a pagar bandeira sobre uma base bem menor.
Há um piso, porém. O custo mínimo de disponibilidade sempre é faturado e sempre carrega a bandeira do mês: 30 kWh em ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica.
Um exemplo com números
Uma casa que consome 300 kWh por mês, com ligação bifásica, num mês de bandeira vermelha patamar 2:
- Sem assinatura — a bandeira incide sobre os 300 kWh faturados: 300 ÷ 100 × R$ 7,87 = R$ 23,61
- Com assinatura, supondo 250 kWh compensados — incide apenas sobre os 50 kWh que restam faturados: 50 ÷ 100 × R$ 7,87 = R$ 3,94
- Diferença específica da bandeira — cerca de R$ 19,67 naquele mês
Vale separar os efeitos: esses R$ 19,67 são o ganho ligado à bandeira. A economia principal continua vindo do desconto sobre a energia consumida — até 22%. As duas se somam nos meses de bandeira alta.
Os valores são ilustrativos e dependem do seu consumo, do tipo de ligação e da cota contratada. Para dimensionar o desconto no seu caso, veja quanto você economiza na prática.
O que a assinatura não resolve
Para não criar expectativa errada: o adicional não desaparece. Ele continua sendo cobrado sobre a parte faturada, que inclui no mínimo o custo de disponibilidade. Qualquer oferta que prometa imunidade completa às bandeiras está simplificando demais.
Além disso, a contribuição de iluminação pública e os tributos permanecem na fatura, porque são obrigatórios por regulação. E você passa a receber duas faturas — uma da distribuidora, com esses itens e a bandeira sobre a parte faturada, e outra da empresa de energia, com o consumo descontado. Somadas, ficam menores. A diferença entre a conta da CEMIG e a energia por assinatura detalha a separação.
Reduzir consumo nos meses de bandeira alta
A outra frente é consumir menos justamente quando o quilowatt-hora está mais caro. As ações de maior efeito:
- Reduzir o tempo de banho — o chuveiro elétrico é o maior consumo instantâneo da casa
- Eliminar o consumo em stand-by — aparelhos desligados mas plugados consomem 24 horas por dia
- Ajustar o ar-condicionado — entre 23 °C e 24 °C, com filtros limpos
- Aproveitar a luz natural e trocar as lâmpadas por LED
- Usar a máquina de lavar com carga completa
Para um panorama completo, veja as formas mais simples de reduzir a conta de luz.
De onde vieram as bandeiras
O sistema foi criado pela ANEEL em 2015, e a motivação é relevante para entender o mecanismo: antes dele, a variação no custo de geração era absorvida e depois repassada de uma vez, em reajustes concentrados que pegavam o consumidor de surpresa.
As bandeiras distribuíram esse custo mês a mês, de forma visível na fatura. A ideia é dupla: dar transparência sobre quanto custa gerar energia naquele momento e sinalizar ao consumidor quando vale a pena reduzir o consumo. É por isso que a bandeira aparece discriminada, e não diluída na tarifa.
O histórico mostra a lógica
Desde a criação, o país já passou por longos períodos de bandeira verde e por sequências de meses em patamares altos, sempre acompanhando o nível dos reservatórios. Em 2021, a seca severa levou à criação de uma bandeira específica de escassez hídrica, acionada só em cenário crítico.
Essa variabilidade explica por que não existe previsão confiável de longo prazo: a bandeira acompanha o clima, e o clima não se planeja.
Por que a bandeira sobe
O ciclo hidrológico
O Brasil ainda depende fortemente da geração hidrelétrica. Quando os reservatórios baixam, é preciso acionar termelétricas a gás, carvão ou óleo, cujo custo de geração é bem maior. A bandeira é o mecanismo que repassa essa diferença.
A sazonalidade
O período seco na maior parte do país vai de maio a outubro, e é quando as bandeiras tendem a ficar mais caras. O período chuvoso, de novembro a abril, costuma trazer bandeiras mais favoráveis. Não é regra fixa: depende do regime de chuvas de cada ano.
O agravante do consumo
Os meses de bandeira mais cara costumam coincidir com meses de consumo maior — climatização no fim da seca, chuveiro no modo inverno. Consumo maior multiplicado por preço maior é o que faz a conta assustar. Se a sua conta sobe no frio, veja conta de luz alta no inverno.
Não dá para prever com antecedência
A ANEEL define a bandeira no fim de cada mês, com base nas condições de geração daquele momento. Não há como saber com meses de antecedência qual será a bandeira, o que torna o planejamento mais difícil para quem depende de orçamento apertado.
As bandeiras vão deixar de existir?
Não há previsão disso. Enquanto a matriz depender de hidrelétricas e a seca exigir acionamento de térmicas, algum mecanismo de sinalização de custo continuará existindo — com esse nome ou outro.
Perguntas frequentes
Quem define a bandeira tarifária?
A ANEEL, mensalmente, com base nas condições de geração de energia. A definição é divulgada publicamente no fim de cada mês, para vigorar no mês seguinte.
A bandeira é igual em todo o Brasil?
É. A bandeira é nacional e vale para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional, independentemente da distribuidora.
A bandeira é cobrada sobre a energia compensada?
Não. A regra determina que ela incide sobre a energia ativa faturada, e a compensada por créditos sai dessa base. O que permanece é a bandeira sobre a parte faturada, incluindo o custo mínimo de disponibilidade.
Qual é o custo mínimo de disponibilidade?
Equivale a 30 kWh em ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. É cobrado mesmo com consumo zero e carrega a bandeira do mês.
Posso evitar pagar a bandeira?
Completamente, não. Dá para reduzir bastante a base sobre a qual ela incide, com créditos de compensação, e reduzir o consumo nos meses mais caros. Mas o adicional continua existindo sobre a parte faturada.
Quantos meses por ano costuma ter bandeira vermelha?
Não há regra: depende do regime de chuvas e do nível dos reservatórios. Alguns anos passam quase inteiros em verde; outros acumulam vários meses em patamares mais altos.
Em mês de bandeira verde a assinatura ainda vale?
Vale, porque a economia principal vem do desconto sobre a energia consumida, que existe em qualquer bandeira. O efeito ligado à bandeira é um ganho adicional nos meses mais caros.
Empresas também pagam bandeira?
Pagam, pela mesma regra. Para empresas, o desconto da assinatura pode chegar a até 22%, o que reduz proporcionalmente a base faturada. Veja energia por assinatura para pequenas empresas.
A bandeira tarifária é parte estrutural do sistema elétrico brasileiro e não vai deixar de existir. O que dá para controlar é sobre quanto ela incide — reduzindo consumo nos meses caros e reduzindo a energia faturada por meio dos créditos de compensação. Para entender esse segundo caminho, veja como funciona a energia por assinatura.