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Energia Solar

Bandeira Vermelha: Como Energia Solar Ajuda

Aurora Coelho

Redatora
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Bandeira vermelha encarece a conta? Veja os valores de 2026, sobre o que exatamente ela é cobrada e por que a energia compensada fica fora dessa base.

Em alguns meses a conta de luz vem bem mais alta sem que o consumo tenha mudado. O motivo costuma ser a bandeira tarifária — especialmente a vermelha. Este artigo explica como esse mecanismo funciona e por que quem tem energia por assinatura sente menos esse impacto.

Como funcionam as bandeiras tarifárias

As bandeiras foram criadas pela ANEEL para sinalizar quanto custa gerar energia naquele mês. São três cores: verde, amarela e vermelha, e a vermelha tem dois patamares. Há ainda a bandeira de escassez hídrica, acionada apenas em cenários severos.

A bandeira vermelha entra em vigor principalmente em períodos de seca, quando as hidrelétricas geram menos e o país precisa acionar termelétricas, que são mais caras. Esse custo extra é repassado ao consumidor.

Os valores vigentes em 2026

  • Verde — sem acréscimo
  • Amarela — R$ 1,88 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,019 por kWh
  • Vermelha patamar 1 — R$ 4,46 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,045 por kWh
  • Vermelha patamar 2 — R$ 7,87 a cada 100 kWh, ou cerca de R$ 0,079 por kWh
  • Escassez hídrica — R$ 9,49 a cada 100 kWh

Numa casa que consome 300 kWh, isso representa cerca de R$ 5,64 a mais na bandeira amarela e cerca de R$ 23,61 a mais na vermelha patamar 2. Os valores são revisados periodicamente pela ANEEL, que anuncia a bandeira de cada mês no fim do mês anterior.

Sobre o que exatamente a bandeira é cobrada

Aqui está o ponto que quase ninguém explica, e que faz toda a diferença.

A regra da ANEEL determina que a cobrança de bandeira incide sobre a energia ativa faturada — ou seja, sobre o consumo que efetivamente é cobrado, depois de descontados os créditos de compensação.

Na prática, isso significa que a energia compensada por créditos não carrega o adicional de bandeira. Quem tem uma cota de créditos que cobre boa parte do consumo passa a pagar bandeira sobre uma base bem menor. O artigo sobre o que é bandeira tarifária detalha o mecanismo geral.

Um exemplo com números reais

Considere uma casa que consome 300 kWh por mês, com ligação bifásica — cujo custo mínimo de disponibilidade é de 50 kWh —, num mês de bandeira vermelha patamar 2.

  • Sem assinatura — a bandeira incide sobre os 300 kWh faturados: 300 ÷ 100 × R$ 7,87 = R$ 23,61 de adicional
  • Com assinatura, supondo 250 kWh compensados por créditos — a bandeira incide apenas sobre os 50 kWh que restam faturados: 50 ÷ 100 × R$ 7,87 = R$ 3,94 de adicional
  • Diferença só no adicional de bandeira — cerca de R$ 19,67 naquele mês

Vale separar bem as duas coisas: esses R$ 19,67 são o efeito específico da bandeira. A economia principal continua vindo do desconto sobre a energia consumida, de até 22%. As duas se somam nos meses de bandeira alta.

Os valores são ilustrativos e dependem do seu consumo, do tipo de ligação e da cota de créditos contratada. Para dimensionar o desconto no seu caso, veja quanto você economiza na prática.

O impacto duplo dos meses de bandeira alta

Há um agravante que costuma passar despercebido: os meses de bandeira mais cara costumam coincidir com meses de consumo maior. No período seco, o país aciona térmicas e a bandeira sobe; ao mesmo tempo, em muitas regiões é a época de mais climatização ou de mais banho quente.

Consumo maior multiplicado por preço maior é o que faz a conta assustar. É justamente nesses meses que o efeito do desconto percentual aparece mais forte em reais. Se a sua conta sobe no frio, o artigo sobre conta de luz alta no inverno explica o que mais pesa nessa época.

O que a assinatura não resolve

Para não criar expectativa errada, três pontos precisam ficar claros.

O adicional não desaparece. Você continua pagando bandeira sobre a parte faturada, que inclui no mínimo o custo de disponibilidade — 30 kWh em ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. Esse mínimo é obrigatório para todo consumidor conectado à rede e sempre carrega a bandeira do mês.

Tributos e encargos continuam. ICMS, PIS, COFINS e a contribuição de iluminação pública não são afetados pelo desconto.

Você passa a receber duas faturas. Uma da distribuidora, menor, com os itens obrigatórios e a bandeira sobre a parte faturada; e outra da empresa de energia, referente ao consumo com desconto. Somadas, ficam menores que a conta anterior. A diferença entre a conta da CEMIG e a energia por assinatura detalha essa separação.

Por que a energia solar é menos sujeita a essas variações

A bandeira existe porque a geração hidrelétrica depende de chuva, e quando os reservatórios baixam é preciso acionar fontes mais caras. A geração solar não depende de reservatório — ela varia com a estação e com o clima do dia, mas não está sujeita ao mesmo ciclo de escassez que dispara a bandeira.

Isso não significa que a geração solar seja constante o ano inteiro: dias mais curtos no inverno e períodos nublados reduzem a produção. O que compensa essa variação é o sistema de créditos, que acumula o excedente dos meses de maior geração. O artigo sobre energia solar em dias nublados mostra os percentuais em cada condição.

Perguntas frequentes

A bandeira é cobrada sobre a energia compensada?

Não. A regra da ANEEL determina que a bandeira incide sobre a energia ativa faturada, e a energia compensada por créditos sai dessa base. O que permanece é a bandeira sobre a parte faturada, incluindo o custo mínimo de disponibilidade.

Quanto é o custo mínimo de disponibilidade?

Equivale a 30 kWh em ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. Esse valor é cobrado mesmo com consumo zero e carrega a bandeira do mês.

Quantos meses por ano costuma ter bandeira vermelha?

Não há regra fixa: depende inteiramente do regime de chuvas e do nível dos reservatórios. Alguns anos passam quase inteiros em verde; outros acumulam vários meses em patamares mais altos.

Dá para saber com antecedência qual será a bandeira?

A ANEEL divulga a bandeira de cada mês no fim do mês anterior, com base nas condições de geração. Não há como prever com muitos meses de antecedência.

A assinatura protege totalmente das bandeiras?

Não protege totalmente. Reduz bastante a base sobre a qual a bandeira incide, mas o adicional continua sendo cobrado sobre a parte faturada. Qualquer oferta que prometa imunidade completa às bandeiras está simplificando demais.

Em mês de bandeira verde a assinatura ainda vale?

Vale, porque a economia principal vem do desconto sobre a energia consumida, que existe em qualquer bandeira. O efeito ligado à bandeira é um ganho adicional nos meses mais caros.

A bandeira vermelha continua sendo cobrada de quem tem energia por assinatura — só que sobre uma base bem menor, porque a energia compensada por créditos não entra nessa conta. Somado ao desconto sobre o consumo, o resultado é que os meses mais caros do ano pesam menos. Para entender o modelo do começo ao fim, veja como funciona a energia por assinatura.

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