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Economia de Energia

Economia de Energia no Verão: Dicas Práticas

Aurora Coelho

Redatora
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No verão a conta sobe por dois motivos ao mesmo tempo: mais consumo e bandeira mais cara. Veja o que funciona em cada uma dessas frentes.

O verão brasileiro traz calor intenso e conta de luz mais alta. Entre dezembro e março, o uso de climatização dispara e a fatura acompanha — numa época em que o orçamento já costuma estar apertado por outras despesas.

Este artigo mostra onde o consumo se concentra nessa estação, o que realmente funciona para reduzi-lo e o que fazer sobre a parte que não depende do seu uso. Se a sua conta também sobe no frio, veja conta de luz alta no inverno.

Onde o consumo se concentra no verão

  • Ar-condicionado — o maior peso, de longe, em casas que o utilizam com frequência
  • Ventiladores — consomem uma fração do ar-condicionado, mas ficam ligados muitas horas
  • Geladeira e freezer — trabalham mais para manter a temperatura com o ambiente quente
  • Chuveiro — mais banhos por dia, embora com potência menor no modo verão
  • Bomba de piscina — em casas que têm, é um consumidor relevante e contínuo

A ordem importa: em casas que climatizam, ajustar o ar-condicionado rende mais do que todos os outros itens somados.

Ar-condicionado: onde está o dinheiro

Temperatura

A faixa entre 23 °C e 25 °C oferece conforto com consumo bem menor do que temperaturas mais baixas. Cada grau a menos exige mais trabalho do compressor, e o efeito é significativo ao longo do mês.

Um esclarecimento útil: baixar para 18 °C não faz o ambiente esfriar mais rápido. O aparelho trabalha na mesma potência máxima até atingir o valor configurado — só que vai continuar trabalhando até chegar a uma temperatura desnecessariamente baixa.

Ventilador em conjunto

Distribuir o ar frio com um ventilador de teto permite manter a sensação de frescor com o aparelho alguns graus acima. Como o ventilador consome muito menos, a troca compensa.

Manutenção antes da estação

Filtro sujo obriga o aparelho a trabalhar mais tempo para o mesmo resultado. Vale limpar os filtros com regularidade durante o verão e fazer a revisão completa antes do calor chegar — não no meio dele, quando o técnico está com a agenda cheia.

Vedação e carga térmica

Manter o ambiente fechado enquanto o ar estiver ligado, vedar frestas de portas e janelas e bloquear o sol direto com cortinas ou persianas reduz bastante o esforço do equipamento.

Timer e modo sleep

Programar o desligamento na madrugada, quando a temperatura cai naturalmente, evita horas de operação desnecessária. O modo sleep reduz gradualmente a potência ao longo da noite.

Para os detalhes técnicos, veja o que funciona de verdade no ar-condicionado.

Ajustes específicos do verão

Aproveite os dias mais longos

O verão tem mais horas de luz natural. Abrir cortinas durante o dia — nas janelas que não recebem sol direto — ilumina os ambientes sem acender nada, e concentrar tarefas que exigem boa visão no período diurno reduz o uso de iluminação artificial.

Evite gerar calor dentro de casa

Cozinhar com forno nos horários mais quentes aquece a casa e faz o ar-condicionado trabalhar mais — é consumo dobrado. Preferir preparos leves ou cozinhar de manhã cedo e à noite ajuda nas duas pontas.

Cuide da geladeira

Com o ambiente mais quente, o compressor trabalha mais. Verificar a vedação, manter o aparelho afastado de fontes de calor, evitar aberturas desnecessárias e não guardar alimentos quentes têm efeito maior no verão do que no resto do ano.

Bomba de piscina fora do horário de ponta

Para quem tem tarifa com diferenciação horária, programar a filtragem para a madrugada ou o meio do dia evita o intervalo mais caro. Vale conferir a modalidade tarifária antes de reorganizar.

A parte que não depende do seu uso

Há um agravante sazonal: o verão costuma coincidir com períodos de bandeira tarifária mais cara, porque a seca reduz a geração hidrelétrica e o país aciona termelétricas.

Ou seja, consumo maior multiplicado por preço maior. É por isso que reduzir uso, sozinho, tem efeito limitado nessa época. Veja o que é bandeira tarifária.

E há a parte estrutural: taxa mínima de disponibilidade, contribuição de iluminação pública e tributos continuam sendo cobrados independentemente do quanto você consome. Somados, podem passar de 40% da fatura. O artigo sobre como ler a conta de luz mostra a composição item por item.

Reduzir o preço da energia consumida

Os ajustes acima agem sobre quanto você consome. A energia por assinatura age sobre quanto custa cada quilowatt-hora, com desconto de até 22% sobre a energia consumida — sem obra e sem desembolso inicial.

Por que o efeito é maior no verão

Como o desconto é percentual sobre o consumo, o valor economizado em reais acompanha a conta. Nos meses de maior uso de climatização, quando a fatura mais dói, o valor que deixa de sair do bolso também é maior.

  • Conta de R$ 400 — até R$ 88 por mês
  • Conta de R$ 700 — até R$ 154 por mês
  • Conta de R$ 1.000 — até R$ 220 por mês

Os valores são ilustrativos, calculados sobre o teto. Veja quanto você economiza na prática.

O que o desconto não cobre

A taxa mínima de disponibilidade, a contribuição de iluminação pública e os tributos continuam sendo cobrados, porque são obrigatórios por regulação — daí o "até". E o adicional da bandeira continua existindo, embora incidindo sobre uma parcela menor do consumo, já que a energia compensada por créditos fica fora dessa base.

E você passa a receber duas faturas

Uma da distribuidora, menor, com os itens obrigatórios; e outra da empresa de energia, com o consumo já descontado. Somadas, ficam menores que a conta anterior.

Um aviso sobre o prazo

Se a intenção é chegar ao verão já com desconto, vale começar antes: a adesão é digital e leva minutos, mas a homologação junto à distribuidora costuma levar de 30 a 60 dias. Contratar em dezembro significa, na prática, economizar a partir de fevereiro.

Já os ajustes de uso aparecem na leitura seguinte — esses valem começar hoje.

Perguntas frequentes

Ventilador junto com ar-condicionado economiza mesmo?

Economiza. O ventilador distribui o ar frio pelo ambiente, o que permite configurar o aparelho alguns graus acima mantendo a sensação de frescor — e ele consome muito menos que o ar-condicionado.

Vale a pena desligar o ar durante a madrugada?

Costuma valer, porque a temperatura cai naturalmente. Timer ou modo sleep resolvem isso sem que você precise acordar para desligar.

Qual o horário mais caro para consumir?

O horário de ponta, tipicamente três horas entre o fim da tarde e a noite. Mas isso só afeta quem está na tarifa branca ou em modalidade horossazonal — na tarifa convencional, o preço é o mesmo o dia inteiro.

A assinatura funciona melhor no verão?

O percentual é o mesmo o ano todo. O que muda é o valor em reais: como a conta é maior no verão, a economia absoluta também é.

Funciona para apartamento?

Funciona, porque nada é instalado no imóvel — não é preciso autorização do condomínio. O requisito é a conta de luz no seu nome. Veja energia solar em apartamento.

Cortina térmica compensa?

Em janelas com sol direto, principalmente nas voltadas para o oeste, ajuda a reduzir a carga térmica do ambiente. É uma alternativa mais barata que película e resolve boa parte do problema.

Quanto tempo até o desconto aparecer?

A homologação junto à distribuidora costuma levar de 30 a 60 dias. Por isso vale contratar antes da estação, não no meio dela.

No verão, a conta sobe por dois motivos simultâneos: você consome mais e a energia tende a estar mais cara por causa da bandeira. Ajustar a climatização resolve a primeira parte; reduzir o preço da energia cuida da segunda. Para entender esse segundo caminho, veja como funciona a energia por assinatura.