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Para empresas

Como supermercados podem reduzir a conta de energia

Aurora Coelho

Redatora
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Refrigeração domina o consumo de um supermercado. Veja onde está o desperdício invisível, o que otimizar sem risco e como reduzir o preço da energia.

Num supermercado, energia não é despesa administrativa — é insumo de operação. Câmaras frias, ilhas de congelados, balcões refrigerados e climatização funcionam sem parar, e desligar qualquer um deles significa perder mercadoria.

Este artigo mapeia onde o consumo se concentra no setor, o que dá para otimizar sem risco e como reduzir o custo pelo outro lado.

O perfil de consumo de um supermercado

Refrigeração domina

É de longe o maior consumidor: câmaras frias, ilhas de congelados, balcões de frios e açougue, expositores de bebidas. Funcionam 24 horas, sete dias por semana, e não admitem interrupção.

Iluminação vem em seguida

A área de vendas precisa estar bem iluminada durante todo o horário de funcionamento, e há ainda depósito, estacionamento e áreas de apoio. É o segundo maior item na maioria das operações.

Climatização, e um efeito cruzado

O ar-condicionado do salão tem um agravante que passa despercebido: iluminação e equipamentos de refrigeração geram calor, e esse calor aumenta a carga sobre a climatização. Reduzir o consumo de um item alivia o outro.

Padarias, açougues e prontos

Fornos, fatiadores, moedores e estufas concentram consumo em horários específicos e somam ao pico de demanda.

O que dá para otimizar sem risco

Refrigeração: onde está o dinheiro

  • Vedação de portas e tampas — borrachas ressecadas deixam o frio escapar continuamente, e é o desperdício mais comum e mais barato de corrigir
  • Limpeza de condensadores — poeira acumulada obriga o compressor a trabalhar mais para o mesmo resultado
  • Portas e cortinas em ilhas abertas — reduzem bastante a perda de ar frio em expositores que ficam descobertos
  • Temperaturas ajustadas ao produto — resfriar mais do que a norma exige é gasto sem contrapartida
  • Manutenção preventiva — equipamento fora de ajuste consome mais e ainda arrisca a mercadoria

Iluminação

A troca por LED rende bem num setor onde a luz fica acesa o expediente inteiro — e tem o ganho indireto de reduzir a carga térmica sobre a climatização. Sensores fazem sentido em depósito e áreas de apoio, não na área de vendas.

Gestão de demanda

Escalonar a partida de equipamentos pesados na abertura evita picos simultâneos que definem a demanda faturada do mês inteiro. Veja como funciona o horário de ponta.

Uma ressalva sobre percentuais

Materiais sobre eficiência em varejo costumam somar o efeito de cada estratégia e chegar a "40% a 50% de redução". Trate esses números com reserva.

Cada percentual incide sobre uma base diferente, e vários se referem a um componente do consumo — iluminação, refrigeração — e não à conta inteira. Reduzir 30% da iluminação não é reduzir 30% da conta.

O resultado real depende de quanto desperdício existe na sua operação hoje. Um supermercado que já cuida da vedação e usa LED tem bem menos a ganhar que um que nunca revisou nada.

Reduzir o preço da energia

As ações acima agem sobre quanto se consome. Como boa parte do consumo de um supermercado é estrutural, reduzir o preço de cada quilowatt-hora costuma render mais.

Energia por assinatura

Usinas solares geram energia e injetam na rede da distribuidora; os créditos abatem o consumo faturado do estabelecimento. Nada é instalado na loja — sem obra, sem intervenção elétrica, sem risco para a operação.

  • Conta de R$ 5.000 — até R$ 1.100 por mês, ou até R$ 13.200 por ano
  • Conta de R$ 12.000 — até R$ 2.640 por mês, ou até R$ 31.680 por ano
  • Conta de R$ 20.000 — até R$ 4.400 por mês, ou até R$ 52.800 por ano

Os valores são ilustrativos, calculados sobre o teto de até 22%. O desconto incide sobre a energia consumida — taxa mínima de disponibilidade, iluminação pública e tributos continuam sendo cobrados. Veja quanto você economiza na prática.

Mercado livre

Supermercados atendidos em média tensão podem migrar desde janeiro de 2024, sem exigência de demanda mínima. Pode haver alternativa mais vantajosa, com a contrapartida de exigir gestão ativa de contrato. Vale simular os dois cenários. Veja como funciona o mercado livre.

O que muda no financeiro

Passam a ser duas faturas

Uma da distribuidora, menor, com taxa mínima de disponibilidade, iluminação pública, tributos e bandeira; e outra da empresa de energia, referente ao consumo com desconto. Somadas, ficam menores que a conta anterior — mas são dois boletos, possivelmente com vencimentos diferentes. Numa rede com várias lojas, isso dobra o volume de documentos. Veja como funciona o pagamento.

A ativação leva de 30 a 60 dias

A adesão é digital e rápida, mas a homologação junto à distribuidora tem prazo próprio.

A bandeira continua existindo

O adicional incide sobre a energia efetivamente faturada, e a compensada por créditos fica fora dessa base. Pesa menos, mas não desaparece — e num supermercado, com consumo alto, meses de bandeira vermelha ainda aparecem no resultado. Veja o que é bandeira tarifária.

Monitoramento: quando compensa

Sistemas de monitoramento mostram o consumo por equipamento e identificam desperdício que a fatura mensal esconde. Num supermercado, com dezenas de equipamentos de refrigeração, costuma fazer sentido — sobretudo pelo ganho paralelo de detectar falha antes que ela vire perda de mercadoria.

Duas ressalvas: instalar sensores sem agir sobre o que eles mostram não gera economia nenhuma, e o custo do sistema precisa ser comparado ao desperdício que ele efetivamente revela. Veja monitoramento energético vale a pena.

Em que ordem atacar

  1. Diagnóstico com as faturas dos últimos 12 meses — custo zero, e define o resto
  2. Vedação e limpeza de condensadores — praticamente sem custo, com efeito na leitura seguinte
  3. Redução do preço da energia — assinatura não exige desembolso; mercado livre, se a loja for do Grupo A
  4. Iluminação e portas em ilhas abertas — investimento moderado, retorno previsível
  5. Monitoramento, quando o número de equipamentos justificar

As três primeiras etapas quase não exigem capital, e a economia gerada pode financiar as seguintes. Veja as oito estratégias para reduzir a conta da empresa.

Perguntas frequentes

Precisa parar a operação para aderir à assinatura?

Não. Não há obra, visita técnica nem intervenção na estrutura elétrica. O processo é administrativo, entre a empresa de energia e a distribuidora.

Funciona em loja alugada?

Funciona, sem autorização do proprietário, porque não há instalação. O requisito é conta de energia ativa no CNPJ. Veja empresas em imóvel alugado.

Dá para incluir várias lojas?

Em geral sim, desde que cada unidade tenha conta ativa e esteja na área de cobertura. Vale considerar que o número de boletos dobra. Veja como economizar em redes com várias unidades.

A assinatura protege contra queda de energia?

Não. Como não há equipamento na loja, se a rede cair a refrigeração para como em qualquer outro estabelecimento. Para operações que não podem perder câmara fria, isso é assunto de gerador, não de assinatura.

Vale a pena para mercado de bairro?

Vale, porque o desconto é percentual e acompanha o tamanho da conta. Em estabelecimentos de consumo muito baixo, porém, a taxa mínima domina a fatura e o ganho fica pequeno.

Quanto tempo até o desconto aparecer?

A homologação junto à distribuidora costuma levar de 30 a 60 dias. Já os ajustes de vedação e limpeza aparecem na leitura seguinte.

Existe fidelidade?

Numa oferta séria, não há fidelidade nem taxa escondida. O prazo de aviso consta em contrato e vale ser lido antes. Veja o que checar no contrato.

Supermercado não economiza desligando refrigeração — o consumo é estrutural e a mercadoria depende dele. O que dá para fazer é eliminar o desperdício invisível, que se concentra em vedação e limpeza de condensadores, e reduzir o preço pago por cada quilowatt-hora. As duas frentes juntas resolvem boa parte, sem tocar na operação.

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