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Economia de Energia

Selo Procel: como escolher eletrodomésticos econômicos

Aurora Coelho

Redatora
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Como usar o selo Procel e a etiqueta do Inmetro para escolher eletrodomésticos que gastam menos, transformar kWh em reais e saber quando trocar o antigo.

Na hora de comprar uma geladeira ou um ar-condicionado, quase todo mundo olha primeiro o preço. Mas existe um segundo preço, que não está na etiqueta da loja: quanto aquele aparelho vai custar na conta de luz pelos próximos dez ou quinze anos.

Dois modelos parecidos, com o mesmo tamanho e as mesmas funções, podem consumir quantidades bem diferentes de energia. Este artigo mostra como usar o selo Procel e a etiqueta do Inmetro para fazer essa comparação antes de comprar.

Etiqueta do Inmetro e selo Procel: o que é cada um

São informações complementares, e confundir as duas é comum.

A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia

É a tabela colorida com letras de A a E, coordenada pelo Inmetro. Ela classifica o aparelho conforme a eficiência dentro da sua categoria: os mais econômicos ficam nas faixas superiores. Serve para comparar modelos de forma justa.

O selo Procel de Economia de Energia

Destaca os aparelhos mais eficientes de cada categoria. Ou seja: entre os produtos já bem avaliados na etiqueta, o selo aponta os que estão no topo.

Como ler a etiqueta na prática

Procure a classificação de eficiência e prefira a melhor faixa disponível para aquele tipo de aparelho. Mas o dado mais útil costuma ser outro: o consumo estimado em kWh por mês, que muitas etiquetas informam.

Transforme kWh em reais

Esse número permite comparação direta. Pegue a diferença de consumo mensal entre dois modelos, multiplique pela tarifa da sua região e por 12 meses, e depois pelos anos de vida útil esperada.

Um exemplo: se um modelo consome 10 kWh a mais por mês e a tarifa é de R$ 0,85, são cerca de R$ 8,50 mensais, R$ 102 por ano e mais de R$ 1.000 ao longo de dez anos. Muitas vezes essa conta justifica pagar mais caro no aparelho eficiente — e às vezes mostra que não compensa.

Três variáveis, não uma

A etiqueta conta parte da história. Para saber quanto um aparelho realmente pesa na conta, junte três informações: a eficiência da etiqueta, a potência do equipamento e o tempo que ele fica ligado.

Um aparelho eficiente ligado o dia inteiro pode consumir mais que um menos eficiente usado por poucos minutos. É por isso que a mesma etiqueta importa muito numa geladeira e pouco num liquidificador.

Onde a escolha eficiente rende mais

  • Geladeira — fica ligada 24 horas por dia, todos os dias. É o caso em que mais vale priorizar a melhor faixa da etiqueta
  • Ar-condicionado — grande consumidor, especialmente no verão. Modelos inverter ajustam a potência conforme a necessidade e consomem bem menos em uso prolongado, compensando o preço inicial maior
  • Chuveiro elétrico — maior consumo instantâneo da casa, embora usado por pouco tempo
  • Máquina de lavar — além da energia, vale observar o consumo de água informado na etiqueta
  • Forno elétrico e secadora — alta potência, uso concentrado
  • Televisão e eletrônicos — importam para quem deixa ligado muitas horas por dia

Aparelhos pequenos de uso ocasional têm impacto menor, mesmo que o número da etiqueta assuste. Para entender onde vai a energia da sua casa, veja como entender a sua conta de luz.

Quando vale trocar um aparelho antigo

Existe uma armadilha comum: segurar um aparelho velho achando que trocá-lo seria gasto desnecessário. Em muitos casos, o antigo consome tanto a mais que a economia de um modelo eficiente cobre boa parte do custo da troca ao longo dos anos.

Isso vale principalmente para geladeiras e ar-condicionados com muitos anos de uso, que perdem eficiência conforme a borracha de vedação resseca e o motor desgasta.

Como decidir

Estime o consumo do aparelho atual e compare com o de um modelo novo eficiente. Se a diferença for grande e o aparelho já tiver muitos anos, a troca tende a se pagar. Se for pequena, ou se o aparelho for de uso ocasional, vale esperar o fim da vida útil.

Não é preciso trocar tudo de uma vez. O caminho realista é priorizar os grandes consumidores antigos e deixar os de uso ocasional para depois — cada troca traz um ganho perceptível sem exigir desembolso grande de uma só vez.

Comprar bem é metade do caminho

Um aparelho eficiente mal utilizado desperdiça energia. Algumas práticas potencializam o que a etiqueta prometeu:

  • Manter a geladeira longe de fontes de calor, com a borracha bem vedada e espaço para circulação de ar atrás
  • Limpar os filtros do ar-condicionado com regularidade e configurá-lo entre 23 °C e 24 °C
  • Usar a máquina de lavar com carga completa
  • Evitar abrir o forno durante o uso
  • Desligar da tomada o que não está em uso, eliminando o consumo em stand-by

Para um panorama completo, veja as formas mais simples de reduzir a conta de luz. E se a sua conta subiu sem explicação, o artigo sobre o que faz a conta de luz subir ajuda a encontrar a causa.

Três mitos sobre eficiência

"Aparelho eficiente é sempre muito mais caro"

Nem sempre. A diferença de preço costuma ser menor do que se imagina, e o cálculo de kWh em reais mostra em quanto tempo ela se paga. Em alguns casos, poucos meses.

"Só a etiqueta importa"

Não. O comportamento pesa tanto quanto a escolha. O modelo mais eficiente da loja, usado de forma descuidada, pode consumir mais que um modelo comum bem utilizado.

"Aparelho econômico rende menos"

Eficiência não significa perder desempenho. Significa entregar o mesmo resultado gastando menos energia.

O que a compra eficiente não alcança

Escolher bons aparelhos reduz o quanto você consome. Não muda o quanto custa cada quilowatt-hora — e essa é a fatia maior da conta, já que tributos e encargos podem passar de 40% da fatura.

É aí que entra a energia por assinatura: créditos de usinas solares abatem o consumo faturado, com desconto de até 22%, sem obra e sem desembolso inicial. As duas frentes se somam, porque agem sobre variáveis diferentes.

Com uma ressalva importante

O desconto incide sobre a energia consumida. A taxa mínima de disponibilidade, a contribuição de iluminação pública e os tributos continuam sendo cobrados. E você passa a receber duas faturas — uma da distribuidora, menor, e outra da empresa de energia — que somadas ficam menores que a conta anterior. Para dimensionar, veja quanto você economiza na prática.

Perguntas frequentes

Selo Procel e etiqueta do Inmetro são a mesma coisa?

São complementares. A etiqueta classifica a eficiência do aparelho dentro da categoria; o selo Procel destaca os melhores da categoria.

Aparelho classe A é sempre a melhor escolha?

É o mais eficiente da categoria, mas a decisão precisa considerar também a potência e o tempo de uso. Para um aparelho usado poucos minutos por semana, a diferença de consumo pode não justificar a diferença de preço.

Vale trocar minha geladeira antiga?

Se ela tem muitos anos e consome bastante mais que um modelo novo, a troca costuma se pagar ao longo do tempo. Vale estimar o consumo atual e comparar antes de decidir.

Ar-condicionado inverter compensa o preço maior?

Para quem usa o aparelho com frequência e por muitas horas, costuma compensar. Para uso ocasional, a diferença de preço demora mais a se pagar. Veja como usar o ar-condicionado sem estourar a conta.

Onde encontro o consumo em kWh do aparelho?

Na própria etiqueta de eficiência, que costuma informar o consumo estimado mensal ou anual. Também consta no manual e, em muitos casos, na página do produto.

Trocar lâmpadas conta como eficiência?

Conta, e é uma das trocas de melhor retorno em ambientes com muitas horas de luz acesa. Veja o cálculo em LED ou fluorescente.

Aparelho eficiente reduz o impacto da bandeira tarifária?

Reduz indiretamente, porque menos consumo significa menos energia faturada — e a bandeira incide sobre a energia faturada.

Comprar olhando só o preço da loja pode custar caro no longo prazo. O selo Procel e a etiqueta do Inmetro mostram, antes da compra, quais aparelhos vão pesar menos na conta — e transformar esse número em reais é o que torna a decisão objetiva. Priorize os grandes consumidores, use bem cada equipamento, e lembre que a compra eficiente resolve o consumo, não o preço da energia.